Fases

As gaivotas brilhantes
céu rasgado
num êxtase quase
sinfónico.
O cais
no mesmo rio
hoje riu-me
a folha cai
no jardim
Um tabaco que se fuma
doce
anjo que guarda
aguardo
é a asa
diferente
que pena não tem
que pena não corre
Voa
Que a Lisboa já te espera
no vai vem urbano
dos corpos exaustos

da árvore roxa
aflita
onde já se viu?
Já não me trocas
as voltas
nas voltas ao virar
da esquina.
agora já envoltas em vácuo.
agora nós
nossos
num mergulho vertiginoso
num mar derramado
no espasmo do ser.
de seres em mim.
estares.
ébria mistura esta
que entontece e mata
a sede.
Quero lá saber de desertos.
de mescalinas de oásis.
meu escorpião de prata.
mata o vetusto tempo
escorpião de asa vermelha
como eu
quando nós


é o frio
o culpado do silêncio
rouba-te o som
mas não há silêncio
algum
pequena folha na
febre do vento
rouco
suavemente rouco
pequena folha
de verde vestida
como poderia
não gostar
da cor?


Como se hoje fosse eu
o anjo
guardo-te
no descanso poupo-te
a palavra
que não a tens
como se hoje fosse
um anjo desajeitado
invento da asa
uma folha
pairando em
ti

já a luz espreita
numa gota de água
percorro na curva
imagem no dedo desenho-te
simples









Estrela
escondida
na certeza
de te voltar.
arrepio
o poema vai.
na ilusão da cor
devolves-me o
Tejo
como só tu
sabes




quente alma
colorida
a palavra foi...




Vento
óbvio.
Na noite...
já é tarde.
escrevo
e descrevo.
Dormes
escuto o teu sonho
transparente
em mim










De azul pintado
Baralhando os céus
na ponta do dedo
te seguro
esperando
o voar
o sentir
no azul pintado
em ti



olhando o silêncio

Agora mais teu...