O pânico
O pânico
do pantano.
Das palavras perdidas.
Infinitas.
Infinitamente perdidas.
Que eu não te disse.
Porque não quiseste.
...começa do zero. LEVANTA A CABEÇA PORRA!
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...(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
...Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)...
Álvaro de Campos
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Hoje há em mim um outroescrever que devolve o sonho.Não partas agora que eu estou a chegar.Só para estar contigo.Para te mostrar o sonho. Para te ver sorrir. Como há muito não o fazias.Olha, volta não vás embora. Eu faço-te rir. Conto-te histórias.Leio-te Álvaro de Campos, ou "Desassossego" que tanto gostas.Não partas. Vamos ver Fassbinder ou Visconti. Eu sei que gostas.Não chores... Eu faço-te rir. Vá vem daí comigo. Vá dá-me a mão.Vá vamos, senta aqui bandida. Diz-me a verdade, ou uma mentira.Diz o que quiseres. Não faz mal. Vá vamos por aí.Olha estou quase a chegar ... Espera não vás....escrito por eu sou 0 comentários

Sim é teatro.
É teatro a vida de cão que carregamos, e que nos roi infinitamente os ossos.
É teatro a máscara que se entranha na pele do “politicamente correcto”
Primeiro estranha-se depois entranha-se.
Bendita água suja do imperialismo, que nos inunda as entranhas.
Sim é teatro.
E se as árvores não morrem de pé, morrem queimadas.
É teatro.
E se fingo amar-te é teatro. E se não o fingir também é.
É teatro querer escrever poemas.
Sem ser poeta.
Ser poeta é teatro.
São as lágrimas que apagam as máscaras e fazem subir o pano.
São teatro.
É a gargalhada contida e o esgar de dôr da náusea existencial, é teatro.
É um querer incontido de quer pensar a peça. E pedir que começe a cena.
É teatro.
É a fuga constante dos relógios apressados.
E a noite chega. Estou só. Como nunca. Tiro a máscara. Acabou a peça.
Deixa-me ouvir o silêncio do teu aplauso.
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Sem aparente razão
a noite veio mais
cedo.
As abelhas largaram
as asas
e foram a pé.
Ficou no mel
A doce vertigem
de querer
mais.
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